A barra circular ou um dia bom

 

Sol, campo de futebol, garotada e uma bola rolando. Tempo de férias, dias sem escola que passam rápido, mas deixam para trás mil e uma histórias e estórias. Acordar a qualquer hora da manhã, de preferência antes de terminar os desenhos animados (aqueles bons). Sair de bicicleta pela cidade, ir ao supermercado, comprar coisas para a casa, voltar com a carne cortada: bife de fígado acebolado para o almoço. Em seguida uma boa siesta (aquela hora no início da tarde que dá um sono tremendo).

 

Mais tarde encontrar os amigos no campo de futebol: invasão de terra sem medo de ser feliz e usar camisetas vermelhas, verdes, azuis, qualquer cor ou ideologia. O que importa não é o que representar e sim viver, ser feliz, fazer os outros felizes e seguir a caminhada. O campo é bem simples, nas extremidades traves de eucalipto (confiscados de uma obra próxima), no centro uma marca de cal (precisa contar de onde veio?) e espalhados um número par de garotos dispostos a suar a camisa e correr atrás da bola a tarde inteira.

 

Ao redor de toda essa algazarra se destacava uma pesada bicicleta, cor cinza metálica e do tipo barra circular, fabricada pela Monark. A bicicleta estava toda paramentada, contendo na roda dianteira um par de escovinhas que limpava o aro cromado, no centro do cubo da roda outra escova em formato circular para deixar sempre brilhante. Na ponta dos freios fitas coloridas, o assento com duas molas e capa com a bandeira do Flamengo (ops! Logo um time do Rio? No meio de Minas? Como assim? É espaço para outra estória.), buzina, garupa toda arranhada, pára-lamas e um pedaço de plástico na roda de trás para fazer barulho (bem provável que era para imitar um motor).

 

Nos dias de aula a bicicleta barra circular atravessa a cidade, levando sonhos, aventuras, determinações e ousadia. Naquelas férias sua função era mais amena e compartilhada. Às vezes eram 3 em cima daquele bocado de aço, um entre o guidão e o “bicicleteiro” e outro na garupa. De tanto baque já tinha soldas em vários pontos, feitas na tornearia do pai do amigo.

 

Ao fim da tarde de bola o sol já se punha. O dono da bicicleta, um garoto que nem jogava tão bem a arte do futebol, pegava a sua magrela e voltava para o jantar em casa. Antes de guardar sua inseparável amiga de pedaladas, Olati dava um geral, passando um pano úmido, retocando a graxa na corrente e dando uns apertos na roda, freios e onde mais que estivesse frouxo. Parafraseando o Rosa, a vida se resumia naquela tarde, apertava, afrouxava, esquentava, esfriava, o que pedia a todos era muita coragem.

 

Existem dias de sol, dias nublados, quentes, frios, com ou sem Lua, que passam num triz ou aqueles que demora mais de 24 horas para terminar. Indiferente de tudo isso é preciso entender, aceitar, compreender, deixar o tempo fazer sua mágica e fundamentalmente: acreditar no poder do trabalho e da mudança.

 

Pense nisso e bons projetos!

 

 

 

 

 

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