O Caminho de Santiago de Compostela existe desde 845 d.C., onde os peregrinos começaram a visitar a região de Campo Estela (extremo ocidental da Espanha), onde supostamente se encontravam os restos mortais de São Tiago, filho de Zebedeu e irmão de João “O Evangelista”. Os viajantes vinham de vários locais. Em 1702 se ergueu uma linda catedral em Santiago, existente até hoje. O Caminho hoje percorrido por peregrinos do mundo todo tem 800 km e parte da França, cidade de St. Jean-de-Pied-de-Port.

Na imagem é possível ver a distância e cidades percorridas.
Na imagem é possível ver a distância e cidades percorridas.

Ano passado (2015) a bondespachense Carina Campos, esteticista, resolveu fazer este percurso e encarar esse seu lado aventureiro e de autoconhecimento. O desafio estava prestes a começar, mas ela fez tudo certinho, planejou e se preparou bem para o que talvez até hoje tenha sido uma das coisas mais fantásticas de sua vida.

Este artigo é uma série de 3 onde vou contar a Preparação, Durante e Depois de toda essa magia que é fazer um Projeto de Aventura.

ITALO: De onde veio a ideia de viajar para outro país e fazer uma viagem como esta?
CARINA: Desde criança ouvi falar que o Caminho de Santiago de Compostela era mágico e transformador. Em 2012 tive a oportunidade de visitar a Catedral de Santiago de Compostela, na Espanha, como turista e pude ver essa magia e a emoção dos peregrinos chegando depois de terem caminhado por mais de um mês até estarem ali. Nesse dia eu disse para mim mesma: “Um dia eu também farei essa peregrinação”. Mas eu não sabia quando, sabia apenas que seria no momento certo e em 2015 recebi o “chamado”. Tinha chegado a hora da minha peregrinação em busca do meu autoconhecimento e transformação interior.

Carina fazendo caminhada na Serra do Cipó (Região do Travessão, em MG) na sua fase de preparação.
Carina fazendo caminhada na Serra do Cipó (Região do Travessão, em MG) na sua fase de preparação.

ITALO: Onde você buscou informações para planejar e organizar sua viagem?
CARINA: Foi através da internet que busquei as primeiras informações. Nos grupos existentes nas redes sociais pude sanar minhas dúvidas. Também conheci pessoas que fariam a peregrinação na mesma época que eu, o que foi ótimo pois peregrinaríamos na mesma estação e passaríamos pelas mesmas dificuldades climáticas. Dois meses antes de viajar fui à Associação dos Peregrinos, me associei, recebi meu Passaporte do Peregrino e minha concha que me identificariam durante o Caminho. Participei de duas reuniões presenciais onde acontece um bate papo e acertamos os últimos detalhes. Conheci muita gente disposta a ajudar e a tirar dúvidas inclusive enquanto eu estivesse lá se caso eu precisasse. Posso dizer que me senti acolhida pelos mais experientes.

Passaporte e a concha do Peregrino.
Passaporte e a concha do Peregrino.

ITALO: Em algum momento você sentiu medo ou vontade de parar?
CARINA: Não. “O Caminho começa no momento em que você o decide fazer.” É uma decisão tão forte e interior que depois de tomada nada e ninguém te fará voltar atrás.

ITALO: Você teve mais amigos e familiares apoiando ou desencorajando?
CARINA: Muita gente não acreditou que eu fosse atravessar o oceano para andar 800 km com somente uma mochila nas costas. Diziam que eu era louca e que nunca fariam isso. Mas também muita gente ficou admirada com minha coragem e me apoiou, principalmente os que já sabiam do propósito de autoconhecimento e transformação do Caminho.

Mochila já com seus pertences, a concha do Peregrino e as botas amaciadas.
Mochila já com seus pertences, a concha do Peregrino e as botas amaciadas.

ITALO: Como você se preparou fisicamente? Como você se preparou para o idioma e para a mente (psicologicamente)?
CARINA: Eu me preparei durante dez meses. Caminhava em média 15 km, três vezes por semana com as botas que eu havia comprado para levar, fazia isso para que elas ficassem macias. Também com a mochila pesando um pouco mais do que eu pretendia levar para ir me acostumando com o peso nas costas. Caminhava assim pela cidade, estradas de terra e até na academia. Fazia musculação bem direcionada para fortalecimento dos ombros, lombar, coxas e panturrilha. A alimentação também foi adaptada com ajuda de uma nutricionista. Quanto ao idioma, meu espanhol já era intermediário e meu inglês não era nada bom então procurei aprender o máximo. Mesmo se eu não falasse esses dois idiomas seria possível fazer o Caminho mas eu achava importante interagir com os outros Peregrinos de todas as partes do mundo. Quanto ao psicológico eu sabia somente que precisava estar com a cabeça aberta e tranquila para encarar o desconhecido que estava por vir. Neste período procurei resolver pendências, afastar pensamentos e pessoas negativas. Eu precisaria estar plena para colocar aquela mochila nas costas no dia que eu fosse dar o meu primeiro passo rumo à Santiago de Compostela.

Muita malhação e suor na preparação.
Muita malhação e suor na preparação.

Esta história continua…

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