Cadê a menina ordenhando o leite?

A imagem mostrando duas embalagens do mesmo produto em tempos diferentes pode nos trazer diversas reflexões. Sabemos que o trabalho está mudando, tarefas operacionais têm mudado e às vezes são substituídas por máquinas ou softwares (aplicativos de celular por exemplo).

Em Belo Horizonte aconteceu um fato interessante. Antes o estacionamento não era cobrado nos principais shopping centers da capital mineira. Então eles perceberam uma oportunidade de receita e todos hoje em dia cobram taxa para estacionar. No início eram três pontos contendo cada um dois caixas para cada andar do shopping. Hoje são quatro. Lembrando que eram dois turnos de trabalho, ou seja, 48 pessoas trabalhando para cuidar do pagamento da taxa de estacionamento. Há uns três anos instalaram diversos totens no lugar dos caixas. Em cada totem é possível pagar com cartão ou dinheiro, e até receber troco. Os totens funcionam à base de energia e praticamente nunca falham. Ainda existem poucos caixas. Dos 48 empregos, talvez uns 12 devem ter sido preservados.

Na cidade paulista de Sorocaba, desde 2002 não existe a figura do trocador dentro do ônibus. O usuário do sistema público de transporte entra, passa um cartão e abre a catraca. Quando não tem o cartão o motorista o conduz até uma estação de baldeação e a pessoa fica em um espaço para realizar o pagamento e seguir viagem.

Onde foi parar a menina ordenhando o leite? A mecanização da ordenha é uma realidade para muitos. Hoje em dia o pequeno produtor consegue ter acesso à tecnologia e adquirir o sistema que faz a ordenha. Mais segurança alimentar para a produção leiteira, menos gente no campo trabalhando. O leite é armazenado em tanques refrigerados à espera do caminhão-tanque, também preparado para o transporte até a cooperativa mais próxima.

O caixa de estacionamento, o trocador e o peão perderam seus empregos. Todos eles não tinham o ensino médio completo. A tecnologia foi a vilã dessa história? Não. Ela acelerou um processo que está em andamento no setor comercial, nos transportes, no agronegócio e em outras áreas.

Quem deveria interceder por eles? Ninguém. Quem deveria dar condições deles darem a volta por cima? O Estado, provendo para todos educação de qualidade e atualizada para as novas necessidades de mão-de-obra.

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2 thoughts on “Novos tempos, novas tecnologias, novos empregos e hábitos

  1. Ítalo, a princípio, seu texto pode gerar um certo desconforto geral por mostrar a “dura” realidade da substituição do homem comum pela máquina… No entanto, sua conclusão abre caminho para uma discussão muito mais desconfortante e realista: a educação de baixíssima qualidade, tanto pública quanto privada, no Brasil. Exemplos como a Coréia do Sul e a Finlândia têm que ser examinados com a devida atenção, “tropicalizados” e implementados o msis rápido possível! Parabéns pelo artigo!

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