O tempo é um entidade (se é que podemos chamar assim) de muitos sabores e dissabores. Vaidade e modismos são constantes nas ações temporais.  Segundos que viram minutos, logo serão horas, dias, meses e anos. Sua dinâmica pode ser cruel para aqueles homens ou mulheres que tentam evitá-la. Sem muito se esforçar a história se repete, a moda se repete, as cores se repetem os cheiros e sons se repetem. Cest’la vie!

Olati foi até ao centro da cidade numa loja bem próxima da Praça. Ali procurava por um cinto novo que combinasse com sua roupa de baile. Parece engraçado, mas os bailes durante muito tempo levaram ao delírio muitos jovens desejosos de momentos mágicos, tão raros hoje em dia.

O Carnaval finaliza com os cristãos se tornando novamente mortais e confessando sua miudez diante de um grão de cinza. Depois de 40 dias passados, Aleluia! Dessa forma o Cristo se restaura na Fé e vem trazer a certeza da renovação. O Baile de Aleluia era (é?) um momento do reencontro da carne com o espírito, da renovação com as certezas de que tudo é cíclico.

Para quem vivera 40 dias esperando o tão esperado e fatídico baile, tudo que naquela noite ocorresse deveria ser rodeado de muita beleza, magnitude, emoções, cores, luzes, sons. Muitos se vestiam a caráter: terno e gravata. Comprar (ou adquirir emprestado) o litro de um bom malte irlandês era de praxe a melhor escolha. Um dos amigos do nosso anti-herói era Eninel, um garoto que respirava mais que os demais, devido ao seu narigão privilegiado. Eninel adorava o Baile de Aleluia, sempre rodeado de namoradinhas (no melhor estilo mosca de padaria) já saia com o carro da mãe e era o sonho de consumo de toda sogra. Olati e Eninel faziam uma dupla sempre presente nos bailes, mesmo morando em cidades  ou estados diferentes, estavam juntos nessa data.

Nesse ano não diferente, depois que Olati escolheu o cinto foi até o barbeiro, deu uma ajeitada no corte de cabelo estilo porco espinho, comprou o gel na farmácia e foi para cada todo cheio de si.

Enincel passou no seu Chevettinho azul e apanhou Olati. O tema do baile aquele ano era ao som dos anos 60. Música boa, pessoas engraçadas, emoções e mais emoções. No palco uma banda que viera de fora para embalar a todos com músicas nacionais e internacionais. Baladas românticas: esse era o momento do ataque fatal às garotas. A coragem era maior que os resultados conseguidos.

A noite do baile durava horas e horas, sabidamente aproveitadas. Esse baile era mágico, o tempo sobrevivia, mas sua dinâmica não deixava de existir, apenas coexistia.

Pense nisso e bons projetos !

Rápidas e Rasteiras

Os bons nos deixam cedo: quase todo domingo tenho um hábito: comprar a Folha de São Paulo e me inteirar do que acontece no País, dessa forma aumentar meu olhar crítico sobre os acontecimentos. No último sábado perdi a professora que me ensinou a fazer as hemerotecas (aqueles textos que os alunos escrevem resenhando ou analisando matérias de jornais ou revistas). Dona Geralda Pontes foi para nós, a turma de 1994 do Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais, uma professora que não só nos fez ter um olhar vívido sobre tudo e todos, mas quem nos apresentou e nos cobrou a literatura dos grandes nomes nacionais em apresentações divertidas e exuberantes. Que o céu a tenha do lado dos imortais aos quais ela sempre admirou e nos fez admirar. Obrigado Dona Geralda por me fazer uma alma viva, pensante, com olhar tenaz e desejoso do saber. Obrigado por me apresentar Policarpo, Brás Cubas, Capitu, Iracema, Macunaíma e muitos outros. Bom Despacho e os seus alunos sentirão muita falta. Sua missão continua conosco.

 

 Iracema de José de Alencar

Faltam 62 dias para Bom Despacho comemorar 100 anos!

  • Mais informações sobre o Centenário em:http:www.senhoradosol.com.br
100 anos/ 100 soluções:

  • 87 – Reforço nos centros de saúde Rurais e nos Bairros;
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