Esta foi a capa de veja de 15 de novembro de 1989. Dias antes caia o Muro de Berlim, símbolo de toda uma era de irracionalidade e extremismos. Separar um país à força por si é agressivo. Dividir uma capital, parentes de suas famílias, comerciantes de seus clientes, amigos de suas amizades, santa estupidez! 1989 e sua onda de mudanças, desde a Perestroika e Glasnost do Mihail ao nascimento (aborto) do Governo Collor. O muro caiu.

Para nossa tristeza novos muros estão se formando.

TRUMPALHADAS
O 45º presidente americano parece vindo do seriado The Simpsons. A capacidade de separar e desunir de Trump é comparável aos piores líderes que a História conseguiria registrar e reunir. A começar por retirar no segundo dia do Governo a versão em espanhol do site da Casa Branca. Em seguida vários países tiveram negados a autorização de vistos para entrada nos Estados Unidos da América.

O sonho americano, os ecos de Liberdade, ficaram atordoados pela insistente e real ameaça de Donald Trump em construir o um muro entre o México e os Estados Unidos. O presidente mexicano, mais que depressa, cancelou qualquer tipo de reunião ou discussão sobre o tema. O clima do novo governo americano e nas relações internacionais vai esquentar, deixa só a China e Coréia do Norte encontrarem o Pato Donald.

HORROR À DIVERSIDADE
Dória em São Paulo assumiu e começou a fazer lambança. Mandou pintar de cinza (!) todos os grafites (imensos painéis) que haviam na Av. 23 de maio, um dos principais corredores da capital paulista.

São Paulo por si é cosmopolita e recebe de braços abertos milhões de etnias, culturas e raças. O grafite é uma expressão livre e que explora antigas e novas técnicas da pintura. Se fossem desenhos e geometrias de Romero Britto, adorado por Madonna, permaneceria ali? O que houve para fazer esquecer artistas populares?

INTOLERÂNCIA DE CLASSES
“No Parque Municipal você encontra, não me leve a mal, uns pipoqueiros horrorosos, coisa da pior qualidade. Mas pobre gosta de luxo e paga pelo luxo. Temos que chamar a população para esse espaço. ” Esta fala intolerante é o do atual empossado Secretário de Meio-ambiente da Prefeitura de Belo Horizonte, o Sr. Mário Werneck. Em outra fala ele sugere mudar o nome para Central Park, como em Nova Iorque, o que para ele daria glamour àquela região.

A pipoca ou o pipoqueiro que são horrorosos? Por que estigmatizar e segregar? Aonde vamos chegar?

VAIDADE SEPARATISTA
Em Bom Despacho a nova composição da Câmara começou a demonstrar para o que vieram e à primeira vista nos preocupa. Primeiro foi o posicionamento público e notório de 4 vereadores que se demonstraram contra o aumento dos secretários. Depois a carnavalesca cena da esposa vereadora e o marido ex-prefeito em confronto direto com vereador que havia dito ter trazido mais casas populares para a cidade.

Não importa quem está correto. Não é função do vereador executar, ele tem é que legislar e fiscalizar o Executivo.

É preocupante as cenas dos próximos capítulos, por isso muita gente chama 2017 de 2016S.

Meninos de rua, delírios de ruína
Violência nua e crua, verdade clandestina
Delírios de ruína, delitos e delícias
A violência travestida faz seu trottoir
Em armas de brinquedo, medo de brincar
Em anúncios luminosos, lâminas de barbear!
(Muros e Grades – Engenheiros do Hawaii)

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