A análise de riscos constitui elemento central para o planejamento estratégico e a tomada de decisão em ambientes caracterizados por elevada incerteza e complexidade, como os setores de engenharia, infraestrutura, mineração, energia e serviços industriais. Nesse contexto, a metodologia PESTEL (Política, Econômica, Social, Tecnológica, Ambiental e Legal) oferece um arcabouço analítico consolidado para a identificação e a interpretação de fatores externos que podem afetar o desempenho, a competitividade e a sustentabilidade das organizações. O presente estudo reúne as percepções de executivos C-Level com atuação relevante no Brasil, oriundos de diferentes segmentos intensivos em capital e regulação, buscando captar, a partir da experiência prática desses líderes, os principais riscos projetados para o ano de 2026 sob cada uma das dimensões do modelo PESTEL.

A relevância desta pesquisa reside na combinação entre visão executiva aplicada e análise estruturada de riscos, permitindo identificar padrões recorrentes, convergências e tensões entre dimensões institucionais, econômicas, sociais, tecnológicas, ambientais e legais. Na sequência, os resultados obtidos serão analisados de forma comparativa à luz de estudos e relatórios internacionais de referência, em especial as análises de riscos globais do Eurasia Group, do World Economic Forum e do Bulletin of the Atomic Scientists, por meio do Relógio do Juízo Final. Essa abordagem busca situar os riscos identificados no contexto brasileiro dentro de uma perspectiva sistêmica e global, avaliando similaridades, divergências e implicações estratégicas para organizações que operam em um ambiente cada vez mais interconectado e instável.

DISCLAIMER: o estudo aqui apresentado é apenas uma ideia ou um grupo de insights colhidos sem nenhum rigor científicos. Caso utilize alguma informação a seguir ou das outras partes deste trabalho, não nos responsabilizamos. 

A partir da consolidação das respostas obtidas, foi elaborada uma tabela de recorrência dos riscos, organizada segundo as dimensões da metodologia PESTEL, com o objetivo de identificar padrões, convergências e a intensidade relativa das preocupações manifestadas pelos executivos participantes. Essa síntese quantitativa permite visualizar de forma clara quais eixos concentram maior percepção de risco para 2026, bem como compreender como determinados temas se distribuem de maneira transversal entre diferentes setores e perfis de atuação. A análise da recorrência não busca hierarquizar riscos de forma isolada, mas oferecer uma base empírica para a interpretação qualitativa apresentada na sequência, conectando frequência, relevância estratégica e impactos potenciais sobre o ambiente de negócios.

Profissional Setor P – Político E – Econômico S – Social T – Tecnológico A – Ambiental L – Legal
Executivo 1 Equip. mineração Congresso frágil; avanço do Judiciário Dívida pública; inflação Passividade social Defasagem tecnológica Agenda ambiental secundária Insegurança jurídica
Executivo 2 Mineração ouro Gastos eleitorais Queda de investimentos Polarização IA em ritmos desiguais Burocracia LI/LO Judicialização
Executivo 3 Software corporativo Continuidade do governo atual Rombo fiscal; inflação Dependência de auxílios Baixo investimento em TI Foco inadequado (águas) Ativismo do STF
Executivo 4 Construção pesada Populismo eleitoral Juros altos; fiscal Falta de mão de obra IA sem critério; eletrificação sem infra Clima; desmatamento Falta de reforma judicial
Executivo 5 Software mineração Eleições; geopolítica Inflação; commodities voláteis Desinformação; falta de talentos IA hype; ciberataques Transição energética desordenada Regulação IA; judicialização
Executivo 6 Construção pesada Juros altos; reforma tributária Pressões UE/EUA; desmatamento Insegurança jurídica
Executivo 7 Mineração Fragmentação geopolítica Custo de capital alto Polarização; reputação Cibersegurança + IA Clima extremo; transição Complexidade regulatória
Executivo 8 Serviços mineração Aumento carga tributária Baixa produtividade Falta de técnicos IA reduz senso crítico Agenda ambiental ideológica Insegurança jurídica
Executivo 9 Óleo & Gás Conflitos; sanções Ambiente hostil a investimentos Falta de qualificados Transição tecnológica lenta Clima imprevisível Judicialização
Executivo 10 Consultoria Eleições; EUA Petróleo volátil; China Falta de mão de obra IA e empregos Foz Amazonas; licenças Desconhecimento reforma
Executivo 11 Construção/montagem Polarização eleitoral SELIC alta; dívida Falta de mão de obra Deepfakes; IA Regulação ambiental política Reforma tributária

A seguir a recorrência dos temas:

Dimensão Nº de Executivos Recorrência Principais Temas
🏛️ Político (P) 10 / 11 🔴 Muito alta Polarização eleitoral, populismo, fragilidade institucional, geopolítica, protecionismo
💰 Econômico (E) 10 / 11 🔴 Muito alta Juros altos, dívida pública, inflação, ambiente ruim para investimentos
👥 Social (S) 9 / 11 🔴 Alta Escassez de mão de obra, polarização social, dependência de auxílios
🤖 Tecnológico (T) 10 / 11 🔴 Muito alta IA sem governança, hype tecnológico, cibersegurança, deepfakes
🌱 Ambiental (A) 9 / 11 🔴 Alta Clima extremo, licenciamento, transição energética desordenada, pressões internacionais
⚖️ Legal (L) 11 / 11 🔴 Crítica Insegurança jurídica, judicialização, reforma tributária, ativismo judicial

Na sequência, procede-se à análise qualitativa dos riscos identificados, estruturada a partir das seis dimensões da metodologia PESTEL. Cada eixo é examinado à luz das percepções recorrentes dos executivos, buscando não apenas descrever os riscos apontados, mas interpretar suas causas estruturais, interdependências e potenciais impactos sobre o planejamento estratégico, a execução de projetos e a competitividade organizacional. Essa abordagem permite compreender como os diferentes fatores externos se articulam e se reforçam mutuamente, configurando um ambiente de risco sistêmico para 2026, no qual decisões empresariais exigirão maior sofisticação analítica, governança e capacidade de adaptação.

POLÍTICO

Sob a ótica da análise PESTEL, o risco político se consolida como um dos principais fatores estruturantes de incerteza para 2026, conforme evidenciado de forma recorrente nas contribuições dos executivos entrevistados. No plano doméstico, destaca-se a percepção de um ambiente político-institucional fragilizado, fortemente influenciado pelo ciclo eleitoral, pela intensificação da polarização e pela adoção de práticas de cunho populista. Os executivos apontam, de maneira convergente, a baixa capacidade de coordenação do Poder Legislativo, a dificuldade de avanço de reformas estruturais e o crescimento do protagonismo do Poder Judiciário, fatores que, combinados, reduzem a previsibilidade das políticas públicas e ampliam a percepção de instabilidade nas regras do jogo. Esse contexto afeta diretamente o planejamento estratégico e a tomada de decisão de investimentos, especialmente em setores intensivos em capital, como engenharia, infraestrutura, mineração e energia.

No plano internacional, as respostas evidenciam um consenso quanto ao agravamento da fragmentação geopolítica, marcado por tensões entre grandes potências, avanço do protecionismo, disputas por ativos estratégicos e risco crescente de conflitos armados. Os executivos associam esse cenário a maior volatilidade regulatória, encarecimento do capital e regionalização forçada de mercados, com impactos relevantes sobre cadeias globais de suprimento e decisões de investimento internacional. Assim, o risco político identificado na pesquisa não se restringe ao contexto nacional, mas assume caráter sistêmico e multiescalar, operando como vetor amplificador de riscos econômicos, legais e operacionais, e exigindo das organizações maior sofisticação em governança, inteligência estratégica e gestão integrada de riscos diante de um ambiente político cada vez mais instável e imprevisível.

ECONÔMICO

No eixo Econômico, a pesquisa com os executivos revela um consenso robusto quanto à deterioração das condições macroeconômicas esperadas para 2026. As respostas convergem para a percepção de um ambiente financeiramente restritivo, caracterizado pela manutenção de juros elevados por período prolongado, crescimento da dívida pública, pressões inflacionárias recorrentes e rigidez orçamentária. Esses fatores, citados de forma recorrente, elevam o custo do capital, restringem o crédito e reduzem a atratividade de investimentos de médio e longo prazo, afetando diretamente setores intensivos em CAPEX, como construção pesada, mineração, energia, óleo e gás e grandes projetos de engenharia. A implementação da reforma tributária aparece como elemento adicional de risco econômico, não por seu mérito conceitual, mas pela incerteza quanto aos seus efeitos práticos sobre custos, preços relativos, competitividade setorial e previsibilidade do planejamento empresarial.

No plano externo, os executivos associam o risco econômico à desaceleração do crescimento global, à instabilidade geopolítica e à maior volatilidade dos mercados de commodities, especialmente agrícolas, minerais e energéticos. Esse contexto tende a provocar redução de investimentos estrangeiros, postergação de projetos e maior seletividade na alocação de capital, além de pressionar economias dependentes de exportações primárias. Também surgem preocupações com baixa produtividade estrutural, perda de competitividade e maior dependência de fontes externas de financiamento, incluindo capital estrangeiro com condicionantes geopolíticos. Assim, o risco econômico identificado na pesquisa assume caráter estrutural e sistêmico, operando em sinergia com os riscos político e legal, e exigindo das organizações maior disciplina financeira, rigor na priorização de investimentos e estratégias de resiliência frente a um cenário prolongado de incerteza macroeconômica.

SOCIAL

No eixo Social, a pesquisa evidencia um risco estrutural persistente para 2026, com impactos diretos sobre produtividade, competitividade e execução de projetos. As respostas dos executivos convergem para a escassez de mão de obra, tanto operacional quanto qualificada, especialmente nos setores de construção civil, mineração, engenharia e tecnologia. Esse quadro é associado à migração para a informalidade, à dependência crescente de programas de transferência de renda e ao desalinhamento entre formação profissional, pesquisa acadêmica e demandas efetivas do setor produtivo, resultando em gargalos operacionais, aumento de custos e maior exposição a atrasos e ineficiências.

Adicionalmente, os executivos destacam a polarização social e a deterioração da qualidade das informações que circulam na sociedade, intensificadas pelo ambiente eleitoral e pelo uso instrumental de narrativas políticas. Esse contexto fragiliza a coesão social, reduz a confiança entre agentes econômicos e impacta a reputação das organizações, inclusive perante investidores e stakeholders institucionais. Assim, o risco social identificado na pesquisa não se limita ao mercado de trabalho, mas assume caráter transversal, influenciando governança, ambiente de negócios e sustentabilidade de longo prazo, e exigindo das empresas estratégias mais ativas de qualificação profissional, retenção de talentos, comunicação institucional e engajamento social para mitigar seus efeitos.

TECNOLÓGICO

No eixo Tecnológico, a pesquisa evidencia que o principal risco para 2026 não decorre da ausência de inovação, mas do descompasso entre a velocidade dos avanços tecnológicos e a capacidade de absorção, governança e uso crítico pelas organizações e pela sociedade. As respostas dos executivos convergem para uma preocupação recorrente com a adoção acrítica da Inteligência Artificial, marcada por uso superficial, dependência excessiva de soluções automatizadas e baixa validação técnica dos resultados. Esse fenômeno é percebido como risco à qualidade das decisões, à produtividade real e à capacidade analítica das equipes, além de potencial impacto negativo sobre empregos menos qualificados e sobre o capital humano.

Outro vetor tecnológico fortemente destacado é o agravamento dos riscos de cibersegurança, intensificados tanto pela expansão do uso de IA quanto pela sofisticação de ataques digitais, inclusive com caráter geopolítico. Os executivos também apontam a dificuldade de conduzir transições tecnológicas complexas — como eletrificação de ativos, novas matrizes energéticas, automação avançada e tecnologias emergentes (ex.: computação quântica) — sem a infraestrutura adequada, capacitação de pessoas e marcos regulatórios claros. Nesse contexto, o risco tecnológico assume natureza sistêmica e transversal, atuando como amplificador de riscos operacionais, econômicos e reputacionais, e exigindo das organizações investimentos coordenados em governança digital, segurança da informação, capacitação técnica e avaliação contínua dos impactos reais das tecnologias sobre desempenho e sustentabilidade.

AMBIENTAL

No eixo Ambiental, a pesquisa revela uma mudança relevante de percepção: o tema deixa de ser tratado predominantemente como questão reputacional e passa a ser entendido como risco operacional, regulatório e competitivo para 2026. As respostas dos executivos convergem na preocupação com a intensificação de eventos climáticos extremos, a baixa previsibilidade climática e a deterioração das condições ambientais, fatores que afetam diretamente a continuidade das operações, a segurança de ativos, o planejamento de obras e a confiabilidade dos cronogramas em setores como mineração, construção pesada, energia e infraestrutura. Esses riscos ambientais físicos passam a gerar impactos econômicos diretos, ampliando custos, atrasos e exposição contratual.

Paralelamente, os executivos destacam a fragilidade institucional na condução da agenda ambiental, caracterizada por lentidão e burocracia nos processos de licenciamento, uso político da regulação ambiental e dificuldades na coordenação da transição energética. Soma-se a esse quadro a pressão internacional crescente por descarbonização, rastreabilidade ambiental e combate ao desmatamento, com risco concreto de sanções comerciais e perda de competitividade internacional para empresas brasileiras. Assim, o risco ambiental identificado na pesquisa assume caráter híbrido, combinando dimensões físicas, regulatórias e geopolíticas, e exige das organizações estratégias integradas de gestão ambiental, compliance, investimento tecnológico e planejamento de longo prazo para aumento da resiliência frente a um cenário ambiental cada vez mais complexo e instável.

LEGAL

No eixo Legal, a pesquisa evidencia um risco sistêmico elevado e transversal, sendo esta a dimensão com maior convergência entre os executivos. Predomina a percepção de um ambiente marcado por insegurança jurídica estrutural, decorrente da instabilidade normativa, de alterações legislativas frequentes e da imprevisibilidade das decisões judiciais. Os executivos destacam de forma recorrente o protagonismo crescente do Poder Judiciário, frequentemente percebido como ativismo judicial, o que amplia a incerteza quanto aos limites institucionais e à estabilidade das regras aplicáveis a contratos, políticas públicas e relações empresariais. Esse contexto fragiliza o planejamento de médio e longo prazo e eleva a percepção de risco nos processos decisórios de investimento.

Adicionalmente, observa-se preocupação significativa com a intensificação da judicialização, especialmente nas esferas trabalhista, tributária, regulatória e contratual, resultando em aumento de custos operacionais, provisões e passivos contingentes. A Reforma Tributária surge como vetor relevante de risco legal, não apenas por seu conteúdo, mas pelo desconhecimento prático de seus efeitos, pela complexidade de implementação e pela possibilidade de interpretações divergentes ao longo do tempo. No conjunto, o risco legal identificado na pesquisa atua como fator amplificador dos riscos político e econômico, exigindo das organizações maior sofisticação em governança jurídica, compliance, gestão contratual e estratégias preventivas de mitigação de litígios em um ambiente normativo caracterizado por elevada incerteza e baixa previsibilidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em síntese, os riscos identificados para 2026, a partir da aplicação da metodologia PESTEL e da consolidação das percepções de executivos C-Level, evidenciam um ambiente de elevada complexidade, interdependência e incerteza. Mais do que um exercício analítico, essa leitura deve ser compreendida como um instrumento prático de apoio à decisão, capaz de subsidiar o mapeamento de riscos estratégicos, a priorização de investimentos e o fortalecimento da governança corporativa. Nesse sentido, convida-se o leitor a aplicar essa abordagem em seus próprios negócios, adaptando os eixos PESTEL à sua realidade setorial e organizacional, de forma a antecipar vulnerabilidades, identificar oportunidades e construir estratégias mais resilientes e preparadas para os desafios que se desenham no horizonte de 2026.

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