Crônica dos Natais Atuais: nossa postura diante do mundo

Com o passar dos anos temos a triste impressão que todo final de ano o Natal é o mesmo. Quando assustamos chegou dezembro e toda a cidade e nossa casa estão enfeitadas com motivos da época. Ano após ano a magia do Natal luta para se renovar. Mas é do tipo de sementinha difícil de romper o invólucro e brotar. Precisa ser muito bem plantada e regada com uma água especial: uma combinação de solidariedade, humildade e humanismo.

Olati acordou dia 22 todo irritado com o trabalho. O despertador tocou, ele o desligou, cochilou e acabou caindo no sono novamente. Foi acordado pelo colega de trabalho que o aguardava no saguão do hotel. Nosso herói das perninhas secas havia crescido e se tornado um profissional das execuções, quando algo precisava acontecer ele era chamado para fazer sua mágica. Estava a quase 2 mil quilômetros de casa e cheio de responsabilidades atribuídas pela sua chefia. Desceu as escadas, passou rapidamente na lanchonete do hotel, engoliu um café com leite e dois pedaços de bolo, fez o check-out e foi para o cliente. Seu colega de trabalho quem estava conduzindo o carro. Curvas para lá e para cá, Olati caiu profundamente no sono, naquela estrada monótona de 2 horas de viagem até o local de trabalho.

Nesse sono profundo os espíritos dos natais de hoje povoaram a mente de Olati. Haviam vários tipos de espíritos: os bons, os ruins, os de porcos, os de joaninha e outras qualidades. Mas o predominante foi o espírito da realidade. Olati teve um sentimento forte, a realidade abriu os olhos de sua mente para tudo ao seu redor. Nosso herói se viu em estado de éter (aquela substância que segundo os estudiosos povoa tudo e todos no Universo), nessa condição pôde acompanhar fatos do cotidiano, eventos que em estado normal passavam desapercebidos.

Assim, se viu no convívio de alguns amigos e conhecidos. Tudo parecia que estavam reunidos ao redor de uma mesa. Como sempre Olati estava agitado, cheio de idéias. Como estava num ambiente amigável não conseguia avaliar as posturas e proposições dos outros presentes, Olati não tem habilidade de desconfiar as razões subliminares de algumas atitudes. Um dos presentes tinha vários títulos, várias posições conquistadas no jogo social da vida. Mas apesar disso, quando era preciso ser honesto e solidário, consigo e com os outros, se expressava egoísta e bastante oportunista.

Outro ali presente naquela mesa de discussões e debates intermináveis, falava alto, parecia que fora criado do lado de uma cachoeira. Com a barba sempre bem feita, passava o dia inteiro com aquele cheiro de quem havia acabado de tomar banho e se emperfumar.  Toda sua eloqüência o aproximava muito bem do mundo dos negócios. Era considerado com um comerciante fenomenal. Mas no fundo não sabia que magoava todos ao seu redor com a sua falta de humildade. Deixava todos pensativos e com a sensação que somente ele era perfeito e competente. Por fim, o terceiro personagem ali sentado (além de Olati dos dias atuais), não era diretamente considerado um amigo do nosso herói. Ter o título de amigo é muito fácil, agir como amigo é imensamente difícil e complicado. Mas aquela mulher, com idade um pouco mais dos 30 anos, mas aparentando mais de 40, desprendia uma energia fantástica, mas não canalizada para os outros humanos. No trabalho aquela humana não era humana, tratava todos os outros com desdém e hostilidade. Por muitas vezes poderia ser classificadas suas ações como assédio moral. Mas os seus partícipes não tinham força para enfrentá-la.

Todas essas percepções do Olati em forma de éter começaram a gerar nele uma sensação de náuseas, aquela impressão de quem viaja de barco pela primeira vez e fica tonto e todo desconcertado. Olati nunca havia percebido o ambiente que freqüentava, nada havia ficado tal claro como agora. O mundo era um mundo cão. O homem querendo comer o próprio homem, e pior ainda, o jogo social escondia aquilo tudo e no fim todos eram pessoas de bem.

Fom! Fom! Olati acordou assustado, puxando o ar quente e úmido da região onde estava chegado. Ao acordar muitas verdades vieram à sua mente. Ficou muito preocupado. Começou a divagar sobre a importância de sermos atores sociais e até quando devemos ser autênticos e não usar máscaras.

A vida nos cobra atitudes todo dia, cabe a cada um usar do seu compromisso consigo e do próximo em prol de um mundo melhor.

Pense nisso e bons projetos!

 

 Apenas para lembrar: “A Christmas Carol”, inspiração desta estória, é um livro de Charles Dickens. Com várias traduções no Brasil, sendo a mais correta Um Cântico de Natal, o livro foi escrito em menos de um mês originalmente para pagar dívidas, mas tornou-se um dos maiores clássicos natalinos de todos os tempos. Charles Dickens o descreveu como seu “livrinho de Natal”, e foi primeiramente publicado em 19 de dezembro de 1843, com ilustrações de John Leech. A história transformou-se instantaneamente num sucesso, vendendo mais de seis mil cópias em uma semana.

 

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