De operador de alto-forno em siderúrgica a Administrador de Consórcio de Motos

O ano era 1995, mês de dezembro, eu estava partindo de férias para Bom Despacho. Saindo do laboratório de informática do CEFET-MG com uma cópia de avaliação do tão esperado Windows 95. Deixava na capital os estudos da engenharia e partia para minha cidade com novidades e boas idéias. Itagildo e eu éramos amigos desde 1988, aprendemos informática juntos, ele seguiu (e segue até hoje) os caminhos da computação. Assim, em 1995, ele havia estabelecido aqui em BD uma empresa desse ramo de atuação: manutenção de computadores e treinamentos. Comecei a ajudá-lo no período de férias, criamos o nome GSH, a logomarca, o planejamento estratégico do negócio. Os clientes existiam, bastava termos os computadores para vender e os instrutores para lecionar os cursos. Pois bem, computadores vindos da capital eram freqüentes, instrutores, uma raridade.

Enquanto isso o preço do ferro-gusa caiu vertiginosamente e a companhia siderúrgica instaurada em nossa cidade passou por uma grave crise, necessitando assim fechar suas operações e conseqüentemente demitir funcionários. Luiz Carlos era operador de alto-forno, um trabalho perigoso, consistia em acompanhar o processo do gusa líquido (temperatura próxima de 900º C) com uma haste na mão, garantindo a fluidez do material. O desemprego veio, com ele incertezas.

A GSH resolveu realizar cursos nas férias, escolher os melhores alunos, prepará-los, para que em 1996 pudessem se tornar instrutores e garantir o ciclo do negócio. Foi aí que apareceu o Luiz Carlos na porta da empresa, querendo aprender informática, olhamos para ele, todo grandalhão, se não comentamos entre nós com certeza pensamos, esse não seria um dos professores. Pois bem, toda mudança é possível, nada vence o trabalho e dedicação, isso não é conversa fiada, é realidade, eu e Itagildo vimos acontecer. Luiz Carlos tornou-se o melhor instrutor, em pouco tempo estava lecionando.

Hoje, Luiz Carlos Pinto, casado, pai de 2 filhas, trabalha na Martinelli Motos como administrador de consórcios e faturamento, uma vida bem diferente dos tempos da siderúrgica.

Ítalo – Como tem sido o crescimento de venda de motos em Bom Despacho e região?

Luiz Carlos – Num período de 2 anos até hoje o crescimento de vendas de motocicletas tem sido crescente. Não só de Bom Despacho e Região, mas em todo o Brasil. Um dos principais fatores para tal crescimento vem sendo a facilidade de crédito ao consumidor aliado a um valor de parcela acessível, tendo em vista que temos planos de até 72 meses para consórcios e de até 48 meses para financiamento sem entrada. Outro fator que está aliado ao crescimento na venda de motocicletas se diz respeito à facilidade e agilidade de locomoção, principalmente nos grandes centros urbanos.

Ítalo – A sua atividade de administrador de consórcios/faturamento lhe cobra algumas habilidades, quais seriam?

Luiz Carlos – Não preciso ter muitas habilidades além daquelas gerenciais, mas sim experiência na área de informática principalmente em sistemas, Assunto que aprendi muito com o Itagildo Edmar Garbazza e com o Zeiner da SoftMax.

Ítalo – Quais tipos de negócios você vê perspectiva de crescimento em Bom Despacho e região ?

Luiz Carlos – Não vejo um “só” grande negócio em crescimento em Bom Despacho, mas vejo vários pequenos negócios em crescimento principalmente em bairros onde antes era esquecido por todos, como exemplo cito meu bairro São Vicente, agora conta com posto de atendimento da Caixa Econômica na padaria do Dimas, inaugurou recentemente uma agência do banco da Cooperativa de Bom Despacho, SICOOB, a siderúrgica voltou a funcionar, temos várias lojas de roupas no bairro, farmácias, o Fidélis inaugurou um supermercado a poucos dias em nosso bairro  e constantemente vem abrindo outros pequenos estabelecimentos, por isto vejo um mercado promissor de pequenas empresas nas extremidades da cidade.

Ítalo – O que você faria de diferente na sua vida se você soubesse há 15 anos atrás?

Luiz Carlos – Há 15 anos atrás as coisas eram mais difíceis para mim, não tinha muitas perspectivas para o futuro, comecei na área de informática muito tarde, com 32 anos. Sabendo o que é o mercado hoje, tão competitivo a principal coisa que faria seria me profissionalizar em alguma área bem mais cedo do que iniciei e com certeza não teria parado com meus estudos.

Rápidas e Rasteiras:

Candidatos aparecem às vésperas das Eleições 2008: tenho observado que alguns candidatos a vereador “deram as caras” na cidade somente nessa época de processo eleitoral. São pessoas com pouca ou nenhuma atuação na comunidade. Dica para o eleitor: cuidado, veja em quem vai votar, conheça o passado do seu candidato.

Rotatórias 10, Educação no Trânsito ZERO: o Departamento Municipal de Trânsito tem feito boas obras nas rotatórias da Rua do Rosário e da Avenida Norte-Sul, uma alternativa barata e inteligente, porém os motoristas na cidade parecem loucos ao voltante, está perigoso sair de cassa de carro ou moto pelas ruas da cidade, cadê a PM com ações educativas ?

Povoado da Passagem pede urbanização: estive por lá no último fim-de-semana e alguns moradores me relataram que o asfalto foi bem-vindo mas precisam também de uma praça ao redor da Igreja. Observei que além da pracinha, precisam de um processo urbanístico para a qualidade de vida dos moradores.

Reinado no Museu da Cidade: entre as personalidades cuja memória está bem viva no MdC, destaca-se a figura de Onésimo Pontes, o Dunga, capitão-mor do Reinado de N.Sra. do Rosário. Em futuro próximo, o Museu terá uma sala especial dedicada ao Congado, a mais importante manifestação religiosa e popular de Bom Despacho. Contato: Júlio Benigno (tel. 3522-2553).

Bom-despachense lança livro em Natal/RN: o escritor e professor Jacinto Guerra estará nos dias 25 e 26 na capital do Rio Grande do Norte, lançando seu mais recente livro.

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